domingo, 7 de agosto de 2016

Na Tela: Esquadrão Suicida

O Esquadrão: construído, desconstruído, reconstruído...

Quando foi ao ar o primeiro trailer de Esquadrão Suicida estava claro que a Warner continuaria investindo no tom sombrio para os quadrinhos da DC Comics na telona. Depois que Deadpool (2016) se tornou o hit em sua abordagem de um anti-herói, a Warner achou que seria bom seu filme sobre um time de vilões tivesse um pouco mais de humor - e o diretor David Ayer foi convidado a filmar algumas cenas extras para uma nova montagem. Depois com todas as fichas investidas em Batman vs Superman (2016), a Warner teve que engolir reclamações sobre o filme que chegou às telas e, com receio do que iria acontecer, David Ayer teve que remexer no filme outra vez - inserindo novas cenas, cortando outras, alterando as cores, a trilha... - tudo para que o filme tivesse o tom menos sombrio que antes. Chegando aos cinemas, tantas alterações ficam evidentes, especialmente em sua primeira parte - onde se revela as maiores fraquezas da produção. Nos quadrinhos o Esquadrão Suicida é formado por um grupo de super-vilões que são escolhidos para enfrentar missões arriscadas, caso as concluam, suas penas recebem reduções (pequenas perante os vários anos que ficarão atrás das grades). No filme, eles se são escolhidos por Amanda Waller (a magnífica Viola Davis) para formarem um time difícil de lidar. O roteiro explica a necessidade do Esquadrão devido ao que aconteceu em Homem de Aço (2013) e Batman Vs. Superman (2016), gerando uma nova realidade na proteção do planeta, sendo assim, ela convence a segurança dos EUA a confiar em Atirador (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Magia (Cara Delevingne), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), El Diablo (Jay Hernandez) e Amarra (Adam Beach). Para ajudar a controlar um grupo desses, são designados Rick Flag Jr (Joel Kinnaman) e Katana (Karen Fukuhara) - com sua espada capaz de aprisionar a alma de quem morre através dela. Com um grupo desses, era de se esperar que houvesse um desequilíbrio no tempo de tela... e a edição piora um pouco esse dilema. Nos primeiros minutos somos apresentados aos personagens em uma edição confusa embaladas por canções pop, com destaque (duas vezes) para Pistoleiro e Arlequina, os outros são apresentados com características escritas na tela e alguma piadinhas. Depois, a edição apela para os flashbacks para dar profundidade para o relacionamento entre Flag e June Moone (alter-ego da bruxa Magia), Diablo e família e, novamente, Arlequina e Coringa (Jared Leto). Os trailers já me deixavam intrigado quanto ao espaço que o Coringa teria na história, mas ele não é o inimigo que o Esquadrão deve combater, tendo uma trama paralela que serve de gancho para outras obras quando o filme chega ao fim. 

Jared: sem medo de Heath Ledger (ainda bem).  

Se Margot Robbie acerta o tom de sua personagem, o mesmo não se pode dizer de Jared Leto - e eu não posso dizer se é culpa do ator ou da montagem final, que dizem ter cortado mais da metade das cenas do personagem. Longe de ter a genialidade de Heath Ledger que viveu o palhaço do inferno anteriormente (no cultuado O Cavaleiro das Trevas/2008), o oscarizado Jared entrega um Coringa mais colorido, perturbado, mas sem o espaço necessário para ser realmente ameaçador - no entanto, tem um visual mais próximo das HQs e animações que o visto anteriormente. Apesar da edição ser um tanto confusa, o filme encontra seu ritmo quando o grupo precisa resgatar uma figura importante (que não fazem a mínima ideia de quem seja) quando uma ameaça bizarra assombra a cidade de Mid City. Entre efeitos especiais interessantes, lutas e tiros, o filme busca sua identidade em meio ao que sobrou de seu conceito inicial. Existem boas ideias, bom visual, bons efeitos, boas atuações (David, Robbie, Smith, Kinnaman, Hernandez...), mas faltou uma costura coerente (que talvez até existisse). Quem gerou expectativas gigantescas ficará decepcionado, mas quem espera um filme para se divertir pode até gostar - e se fizer isso os executivos da Warner agradecem. Se a ideia do estúdio era deixar os diretores criarem seu próprio conceito perante os personagens que tinham em mãos, o sucesso bilionário dos filmes da Marvel comprometeram essa ideia na concorrência. Porém, a criação de um universo unificado chegou tarde demais aos filmes da DC - e tem dado trabalho para encontrar o caminho. Os filmes da Marvel possuem uma identidade própria, resta às obras da Warner/DC descobrirem como construir a sua, mas para isso, precisa saber lidar com as comparações inevitáveis e ter a certeza do que querem - e nem adianta os fãs ficarem choramingando pelo tio Christopher Nolan, que configurou as aventuras de Batman para a era pós-moderna,  David Ayer (diretor de filmes como Marcados para Morrer/2012 e Corações de Ferro/2014) não é e nunca será Chris Nolan (até porque Ayer nem cogita isso), como cineasta ele só precisava de espaço para fazer o filme que apresentou no primeiro trailer que vimos do Esquadrão Suicida (mas somente na sequência ele consiga colocar as novas exigências devidamente ajustadas às suas ideias). Seja como for, o filme serve para colocar, pelo menos, uma peça importante nos rumos da Liga da Justiça, a ameaçadora Amanda Waller - vivida com gosto por Viola Davis


Esquadrão Suicida (Suicide Squad/EUA-2016) de David Ayer com Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis, Jared Leto, Joel Kinnaman, Jay Hernandez, Cara Delevigne, Jai Courtnay e Adewale Akinnuoye-Agbaje. ☻☻☻

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