terça-feira, 23 de julho de 2013

Na Tela: Homem de Aço

Cavill: entre o humano e o alienígena. 

As histórias em quadrinhos se tornaram a maior mina de ouro da indústria hollywoodiana atualmente. A coisa ficou ainda maior com os sucessos da Marvel e obviamente que sua rival não poderia ficar para trás. O problema é que enquanto a Marvel bolou a estratégia de apresentar seus personagens em vários filmes antes de apresentar o seu verdadeiro arrasa quarteirão (Os Vingadores/2012), a DC Comics tinha que se contentar com o sucesso de Christopher Nolan capitaneando Batman. O sinal vermelho soou quando se deram conta que o contrato de Nolan só iria até a terceira aventura do Homem Morcego - lembrando que a última aventura do Superman não agradou nem aos fãs mais fervorosos. Dirigido por Brian Singer (que reformulou a forma de filmar quadrinhos com o primeiro X-Men/2000), Superman - O Retorno (2006) era bem produzido mas a trama beirava o desastre. Nada contra Brandon Hoult homenageando Christopher Reeve, mas o resultado foi um exercício de ventriloquismo mal sucedido. Se Singer foi tão bem sucedido em levar Professor Xavier e seus alunos para o cinema, o mesmo não se podia dizer do que armou para o habitante mais famoso de Krypton. Além de ter arranjado uma Lois Lane que não convencia como renomada jornalista (Kate Bosworth convencerá como mulher só quando não tiver medo de deixar de ser adolescente), ainda deu um filho para ela criar... o resto você já sabe. O filme não agradou, mas deram uma segunda chance para Singer, a continuação de seu Superman chegou a ter o roteiro escrito e algumas cenas rodadas, mas com o sucesso arrasador de O Cavaleiro das Trevas (2008), a Warner mandou refazer tudo para que não amargasse outra decepção. Como a coisa não decolou, o projeto foi engavetado e chamaram Nolan para capitanear a repaginada. Esperto, Nolan resolveu assinar somente a produção, chamando para a direção alguém que parece se especializar em adaptações de HQ: Zack Snyder. É visível que Nolan tinha Watchmen (2009) na cabeça quando confiou nos dotes do diretor para reformular as aventuras de Superman no cinema. Ciente da diferença que um elenco faz (podem reclamar de seus filmes, mas ele está sempre atento a nomes que só precisam de um empurrão para estourar: Ty Burrel, Gerard Butler, Michael Fassbender, Malin Ackerman, Oscar Isaac...), a vontade de dar uma nova cara para o herói sacrificou Brandon Routh e colocou no lugar o britânico Henry Cavill, dando-lhe um par de talento incontestável  e com quatro indicações ao Oscar (Amy Adams), depois juntou nomes de veteranos com prestígio (Kevin Costner, Laurence Fishburne, Russell Crowe e Diane Lane) e ousou deixar o maior inimigo do Homem de Aço de fora. Nada de Lex Luthor, o algoz da vez é o sanguinário General Zodd (o sempre ótimo Michael Shannon) e seu exército de banidos. 

Shannon: outro doido no currículo?

Com isso em mãos, o roteiro só teve que se preocupar em apresentar o herói, articulando o fim de Krypton à loucura de Zodd - que é banido na zona fantasma pouco depois que o filho de Jor-El (Crowe) e Lara (a belíssima Antje Traue) é enviado para um planeta distante "habitado, aparentemente, por vida inteligente". Embora tenha feito pequenas alterações na origem do herói, a essência permanece a mesma. Kal-El é criado como Clark por Martha (Diane) e Johnatan Kent (Costner) e a descoberta de seus poderes é mostrada paralelamente a Clark Kent (Henry Cavill) vagando pelo mundo ajudando pessoas a se livrar de apuros. Nem vou citar os elementos religiosos que o roteiro capitaneado por David S. Goyer quer atribuir ao personagem (afinal, ao ser enviado para Terra, Jor-El anuncia que ele será cultuado como um deus e seus atos heroicos são conhecidos quando ele tem 33 anos!), mas o plot funciona direitinho entre o conflito de revelar seus poderes e levar uma vida normal. Curiosamente, todos confiam tanto na história que estão que nem se incomodam em fazer Lois Lane ter contato com o herói antes que ele desenvolva uma identidade secreta. Se existe um alvo de reclamação no filme é a ação ininterrupta, especialmente quando Zodd descobre o paradeiro do filho de Jor-El e ruma para a Terra com segundas e até terceiras intenções. Snyder capricha no som ensurdecedor de cada pancada, de cada efeito especial que planeja fazer de nosso planeta uma colônia de Krypton. No entanto, eu percebi que apesar de todo o espetáculo (que é o gênero do filme no fim das contas) o diretor sempre deixa claro a marca de cada personagem, especialmente de seu protagonista e a missão que ele escolheu para si. Talvez por confiar na história (Clark/Kal-El ter que aceitar quem é, seja exibindo no peito o símbolo da esperança ou o S de super) e em seus atores (que estão bem e garantem nossa identificação com tudo que está acontecendo), O filme exacerba todas a possibilidades de um filme de super-herói. No fim, Homem de Aço cumpre seu papel de fazer bonito nas férias e o mais complicado: pavimentar o caminho de novos heróis da DC Comics no cinema. Com o sucesso do filme e uma sequência anunciada, já falam de um encontro de Superman com Batman e o aguardado filme da Liga da Justiça para 2017. Os fãs não tem do que reclamar perante a era de heróis que se anuncia. 

Adams, Kent e a vilã Faora-Ul: adivinha quem está de TPM...

O Homem de Aço (Man of Steel/EUA-2013) de Zack Snyder com Henry Cavill, Amy Admas, Russell Crowe, Michael Shannon, Diane Lane, Laurence Fishburne, Christopher Meloni, Ayelet Zurer e Antje Traue. ☻☻☻☻

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