sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

INDICADOS AO OSCAR 2011: MELHOR FILME

BRAVURA INDÔMITA (10 indicações) Acho que nem os irmãos Coen inaginavam que ao toparem refilmar o clássico de John Wayne alcançariam seu maior sucesso de bilheteria. A saga de vingança da adolescente (Hailee Steinfeld) auxiliada por um beberrão caolho (Jeff Bridges) conquistou o público - que deixou nos cofrinhos cinematográficos uma bilheteria mais de 164 milhões de dólares. O filme concorre ainda aos prêmios de direção (Joel & Ethan Coen, uma rara indicação dupla na categoria), ator (Bridges), atriz coadjuvante (Hailee Steinfeld), roteiro adaptado, fotografia, figurino, direção de arte, edição de som, mixagem de som. Porém, o filme tem fortes chances somente na categoria atriz coadjuvante.

CISNE NEGRO (5 indicações) O otimismo em torno do novo filme de Darren Aronofsky começou assim que deu os primeiros passos na produção. Espécie de irmão gêmeo bivitelino de O Lutador (reparou as tomadas que seguem a protagonista como se ela fosse entrar num ringue?), o filme acompanha todo o sangue, suor e lágrimas de uma jovem bailarina (Natalie Portman) perfeccionista que surta ao ter de lidar com seu lado sombrio na montagem perante os ensaios de Lago dos Cisnes. O mergulho tenso na atmosfera criada pelo filme fez com que arrecadasse mais de cem milhões de dólares só nos EUA, um sucesso inesperado para uma produção sombria que custou treze milhões (difíceis de serem arrecadados pelo diretor). O filme está ainda no páreo de melhor direção, atriz (Portman a favorita na categoria), edição e fotografia.

127 HORAS (6 indicações) Dois anos depois de levar para a casa o Oscar de Melhor Filme (com Quem quer ser um Milionário?), Danny Boyle volta ao páreo na categoria mais cobiçada pela trama real do jovem sedento de aventura (James Franco, muito elogiado) que por um acidente acaba com o braço preso debaixo de uma rocha - permanecendo isolado do resto do mundo. Ninguém sabia do seu paradeiro, ele não levou celular e sozinho consigo mesmo teve de lutar para sobreviver (chegando a beber a própria urina) e decidir o que fazer. Precisa dizer como o cara saiu dessa enrascada? Pelo exercício realista (e angustiante) o filme conseguiu espaço ainda nas categorias de ator (Franco), roteiro adaptado, edição, melhor canção e trilha sonora. O filme tem fortes chances na categoria de melhor canção (If I Rise  de A.R. Rahan, na voz de Dido).

O DISCURSO DO REI (12 indicações) Aos poucos essa produção britânica foi ganhando força e se tornando o grande rival de A Rede Social. Tom Hooper investe numa narrativa clássica para abordar a gagueira do rei George VI (Colin Firth) e seu tratamento (que fala mais sobre criar uma postura de liderança do que falar corretamente). Na reta final o filme começou a gerar críticas sobre a memória seletiva do roteiro para não abordar algumas manchas na trajetória de vossa majestade. Será que as qualidades redondinhas do filme serão abaladas por isso? O filme já levou o BAFTA, alguns prêmios de sindicatos e foi o mais indicado deste ano - sendo lembrado ainda nas categorias de direção, ator (Firth), ator coadjuvante (Geofrey Rush), atriz coadjuvante (Helena Bonhan Carter), roteiro original, direção de arte, fotografia, figurinos, edição, trilha sonora e mixagem de som. Tendo como certa a vitória de Colin Firth como melhor ator.

INVERNO DA ALMA (4 indicações) O filme de é um drama simples e correto que ganhou respeito assim que foi exibido no Festival de Sundance do ano passado. O filme conta a trajetória da jovem Ree (Jennifer Lawrence), uma jovem que tem que cuidar da família desde cedo e que resolve descobrir o paradeiro de seu pai traficante. Pelo clima opressor das paisagens e dos personagens desagradáveis (que parece ter inspiração no cinema noir) a diretora Debra Granik conseguiu agradar a Academia que lhe garantiu mais três lembranças entre os melhores do ano: atriz (Jennifer Lawrence, o aspecto mais elogiado do filme), ator coadjuvante (John Hawkes) e roteiro adaptado. Apesar dos elogios o filme deve sair sem ganhar prêmio algum.



MINHAS MÃES E MEU PAI (4 indicações) Nada mais justo que quando o Oscar dobrasse seus candidatos na categoria principal, existisse o dobro de filmes indies entre eles. Minhas Mães e Meu Pai foi exibido em Sundance no início do ano e traz o olhar da diretora Olga Cholodenko sobre as famílias modernas. O filme acompanha o momento em que os filhos do casal lésbico Nic (Annette Benning) e Jules (Julianne Moore) descobrem seu pai biológico. A presença paterna neste clã moderno irá gerar mudanças consideráveis na vida desta família. O filme já levou o Globo de Ouro de melhor comédia/musical e de melhor atriz comédia/musical (Benning) mas não teve forças para emplacar a merecida indicação de Moore ao Oscar. Além da categoria de melhor filme, o longa está concorrendo ao prêmio de atriz (Benning, a verdadeira ameaça à Natalie Portman na categoria), ator coadjuvante (Mark Rufallo) e roteiro original.

A ORIGEM (8 indicações) O melhor filme de 2010 acabou ficando de fora da categoria direção, o que compromete sua vitória nesta aqui. A Origem é mais uma obra-prima de Christopher Nolan, uma fantasia de cores realistas que acompanha um grupo de pessoas capazes de invadir sonhos alheios para roubar informações confidenciais ou inserir ideias. Entre citações de filmes (de Titanic à Piaf), Nolan contrói um filme onde sonho, realidade, memórias e medos se misturam com perfeição e deixa o público atento por mais de duas horas de projeção. Num ano de filmes pouco inventivos, A Origem mostrou que ser original ainda garante sucesso de bilheteria. Esta pérola da sétima arte deve levar para a casa os prêmios de roteiro adaptado (e limpar a barra da Academia com Chris Nolan), efeitos especiais e trilha original. Além dessas categorias o filme concorre nas categorias direção de arte, fotografia, edição de som, mixagem de som.

A REDE SOCIAL (8 indicações) O filme de David Fincher conta a história da criação do Facebook como uma anedota moderna sobre as relações no mundo contemporâneo - onde mantemos contato com as pessoas através de uma tela de computador e deixamos de nos relacionar com as que estão próximas de nós. Mas afinal de contas, o que é se relacionar? O que significa ser amigo? O que é fazer parte de uma rede social com mil amigos virtuais? Essas questões aparecem a partir da trajetória do gênio nerd Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) e seu amigo brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield, um dos grandes esquecidos pela Academia). O filme era o favorito até que O Discurso do Rei foi ganhando força nos prêmios dos sindicatos e no BAFTA, mas esse embate só vai aumentar a expectativa para a premiação. O filme ainda concorre nas categorias de direção, ator (Eisenberg), trilha sonora, fotografia, edição, mixagem de som, sendo praticamente imbatível somente na categoria de roteiro adaptado.

TOY STORY 3 (5 indicações) Sucesso mundial, passando do bilhão de dólares em bilheteria, o filme encerra com chave de ouro a história dos brinquedos do menino Andy sem medo de ser sombrio ou mais dramático que os anteriores (cortesia do diretor Lee Unkrich). O mais interessante é como o filme abraça o maior medo que os brinquedos tem desde o primeiro filme: serem descartados. Andy agora vai para a faculdade e seus brinquedos acabam indo por engano para uma creche onde são dominados por um urso de pelúcia cheio de ressentimentos. O cowboy Woody (Tom Hanks, em seu melhor filme em muito tempo) e o astronauta Buzz Lightyear (Tim Allen), embarcam em mais esta aventura com clima de despedida. O filme ainda concorre nas categorias roteiro adaptado, canção original (We belong together de Randy Newman) e deve levar, pelo menos, a de melhor animação.

O VENCEDOR (7 indicações) O filme de sarjeta sobre um boxeador (Mark Wahlberg) em busca da fama e  seu relacionamento com a mãe dominadora (Melissa Leo), o irmão viciado (Christian Bale) e o amor de sua vida (Amy Adams) faz cada vez mais sucesso.  Embora eu ache que filmes de boxe são todos parecidos, este aqui tem seus méritos - especialmente no elenco que faz de tudo para a coisa não descambar para o melodrama. O filme era o favorito na categoria de atriz coadjuvante até aquela malfadada campanha autônoma de Melissa Leo na reta final - mesmo assim sua atuação permanece sendo irrepreensível (o que lhe valeu o Globo de Ouro de coadjuvante), assim como a de sua colega de elenco (e concorrente ao prêmio de coadjuvante) Amy Adams que pode surpreender. Chritian Bale ainda tem chances na categoria de coadjuvante (pela qual já levou no Globo de Ouro). O filme ainda concorre nas categorias direção (David O. Russel), edição e roteiro original. 

O ESQUECIDO: ILHA DO MEDO (00 indicações) Diz a lenda que o filme de Martin Scorsese não foi lançado ao final de 2009 para não ficar à sombra de Avatar, por conta disso estreou no Festival de Berlim, dividiu a crítica, se tornou o maior sucesso de bilheteria do diretor e foi totalmente esnobado no Oscar. Será que a estratégia de lançá-lo ao início do ano foi realmente boa? Considero que o filme merecia pelo menos umas cinco indicações - e deveria levar a de trilha sonora, por mais que eu goste de A Origem. Acho que até DiCaprio merecia uma indicação ao Oscar de ator, especialmente pelos momentos finais de seu personagem: um detetive que vai parar numa ilha hospício e que parece enlouquecer aos poucos. Dizer mais que isso estraga. Nada foi lembrado, dos figurinos à fotografia passando pela edição e o elenco (onde até o menor papel não faria feio entre as indicações de coadjuvante). Tudo bem que o filme não é perfeito, mas é melhor do que pelo menos uns três concorrentes desta categoria.   

Nenhum comentário:

Postar um comentário