quarta-feira, 16 de agosto de 2017

CICLO PIPOCA: O Agente da U.N.C.L.E.

Armie e Henry: não, eles não são modelos...

Sou daqueles fãs que já perceberam que aquele Guy Ritchie esperto que dirigiu Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998) e Snatch (2000) não existe mais. Hoje sei que ele foi totalmente absorvido pelo mainstream, uma espécie de efeito colateral de seu casamento e divórcio com Madonna, enfim, Freud explica. O fato é que desde que alcançou bilheterias milionárias com Sherlock Holmes (2009), o diretor se tornou um nome à frente de criar novos formatos para personagens famosos. Com Sherlock Holmes - O Jogo das Sombras (2011) ocupando o posto de meu filme menos favorito de sua carreira (isso mesmo, atrás até mesmo de Destino Insólito/2002) eu não tive nenhuma empolgação de assistir sua versão cinematográfica para O Agente da U.N.C.L.E. até recentemente. O fato de algumas fotos promocionais do filme parecerem saídas de um catálogo de moda (incluindo a que ilustra essa singela postagem) também despertavam a minha desconfiança.  Na verdade eu tentei assistir ao filme outras três vezes, mas eu sempre dormia logo no início, só que ontem eu me obriguei a ver tudo até o final e depois que me acostumei com a atmosfera do filme o assisti sem problemas. O fato é que ele demora um pouco para engrenar entre as brincadeirinhas com o mundo da espionagem e a edição não ajuda muito ao repetir cacoetes de Ritchie em meio às várias reviravoltas da história. Baseado na famosa série dos anos 1960 sobre o período da Guerra Fria, o filme conta uma missão de Napoleon Solo (Henry Cavill um britânico sofrendo para disfarçar o sotaque na pele de um americano) onde ele tem que resgatar Gaby (Alicia Vikander), a filha de um cientista que vive disfarçada na Alemanha Oriental, só que ele é perseguido por um agente russo durante a missão. Solo não faz ideia que na segunda parte da missão ele terá que trabalhar ao lado do próprio agente russo, o temperamental Illya Kuriakin (Armie Hammer), para ajudar Gaby a encontrar o seu pai (que também desperta o interesse de espiões nazistas). Aos poucos o trio de personagens se afinam e a narrativa flui melhor quando descobrimos um pouco mais sobre a personalidade dos três - e o trio de atores charmosos conseguem dar conta de suas identidades escorregadias. No entanto, nem sempre alguma cenas alcançam suas intenções com a edição "estilosa" que nem sempre faz muito sentido, a sorte de Ritchie é contar com um elenco que consegue fazer algumas gracinhas com um roteiro não muito divertido (incluindo Hugh Grant em um papel que não lhe exige muito e Elizabeth Debicki que tem presença marcante). Curiosamente, embora tenha surpresas a cada quinze minutos e várias cenas de ação O Agente da UNCLE não chega a ser um filme empolgante, mas tenta manter alguma elegância enquanto se equilibra entre a seriedade e a gaiatice (mas eu só consigo imaginar o resultado se Ritchie não estivesse sob a coleira de um estúdio doido por uma franquia milionária). 

O Agente da U.N.C.L.E. (The Man From U.N.C.L.E./ Reino Unido-EUA/2015) de Guy Ritchie com Henry Cavill, Armie Hammer, Alicia Vikander, Hufh Grant, Elizabeth Debicki e Jared Harris. ☻☻☻

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