sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Na Tela: A Chegada

Amy: rumo à sexta indicação ao Oscar. 

Quando você pensa em ficção científica, dificilmente você irá imaginar em uma linguista como protagonista... é a partir deste ponto de partida que o novo filme do canadense Dennis Villeneuve já começa diferente. Embora exista todo um aparato militar, alienígenas estranhos e efeitos especiais, A Chegada é um filme que caminha para o lado oposto do que se espera neste tipo de filme, por isso mesmo, tem sido comparado a 2001 - Uma Odisseia Espacial (1968) de Stanley Kubrick em seus silêncios e abstrações. O filme é sobre a chegada de doze espaçonaves que aparecem no planeta Terra e pairam a alguns metros do chão. Para estabelecer contato com os visitantes, os militares americanos convocam a professora de linguística Louise Banks (Amy Adams) para estudar um método de comunicação com os alienígenas, no entanto, todo o processo de compreensão da nova língua demanda mais tempo do que os militares queriam, afinal, o que eles querem saber é o motivo das naves aparecerem pairando sobre nosso planeta, nada além disso. Assim, enquanto Louise ganha a confiança dos visitantes e traduz todo um vocabulário extra-terreno, os militares ao redor do mundo suspeitam que estamos prestes a ser dizimados (assim como em todos os casos de encontros de civilizações que aparecem no filme). Impressiona como a partir de uma situação fantástica, o filme aborde questões sobre as relações humanas, nossos problemas de comunicação, as más interpretações geradas pelo medo (e o dedo sempre no gatilho) num mundo dividido que tenta lidar com uma mesma situação de maneiras diferentes. A narrativa de Villeneuve é mais uma vez elegante e tem na atuação de Amy Adams um trunfo ainda mais forte do que a estética, passando pela trilha sonora espetacular e a própria escrita a ser desvendada. É Amy que segura o filme quando pensamos que o filme passará todo o tempo desvendando uma linguagem em nome da paz intergaláctica, aos poucos o filme se constrói em torno de uma nova perspectiva sobre o que vimos desde o início (a relação de Louise com sua filha). Assim como na linguagem a ser desvendada, A Chegada se constrói como um círculo perfeito, com significados muito próprios e que chega ao final sendo sobre Louise e não sobre todo o resto. É neste momento que todos os efeitos, toda a militarização dos conflitos se tornam meros assessórios: a alma do filme está mesmo no olhar de Amy Adams diante do que está por vir e se ela será capaz de enfrentar toda a alegria e dor que se anuncia. Por isso mesmo, A Chegada é uma ficção científica intimista, afinal, trata das emoções e aa dificuldades que temos de comunicá-las, mas também é sobre os presentes que o tempo pode trazer enquanto nem percebemos que ele é tão breve.

A Chegada (Arrival / EUA - 2016) de Dennis Villeneuve com Amy Adams, Jeremy Renner, Forrest Whitaker, Michael Stuhlbarg e Mark O'Bryen. ☻☻☻☻

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