segunda-feira, 9 de junho de 2014

DVD: Ernest & Célestine

Ernest e Célestine: a fofura contra o preconceito.  

Se ao invés da categoria de Melhor Filme de Animação o Oscar tivesse uma outra categoria chamada "Filme Mais Fofo", o ganhador da última cerimonia seria Ernest e Celestine. o motivo é óbvio, basta ver a foto acima. A animação francesa (que perdeu a estatueta de melhor animação para Frozen da Disney) é uma das animações mais fofas da história do cinema! Eu sei que "fofura" não é um quesito de apreciação cinematográfica, mas, por falta de um adjetivo melhor, esse é o que pode fazer você, caro leitor, entender melhor o que esse humilde cinéfilo quer dizer quando se refere ao longa de Stéphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner. Baseado no famoso livro da ilustradora Gabrielle Vincent, o filme dá vida às ilustrações de traços encantadores numa bem vinda animação que parece pintada a mão. A história de amizade entre uma ratinha e um urso bonachão promete encantar os pequeninos e os grandinhos que se aventurarem a acompanhar  a história dos personagens.  Célestine é uma ratinha órfã que passa mais tempo do que deveria fazendo desenhos, especialmente de ursos - que é apontado como o grande inimigo dos ratos. Quando repreendida por gastar o tempo desenhando esses bichos enormes, Célestine não se mostra muito convencida de que os ursos possam ser tão ameaçadores. Como todo pequeno roedor da cidade, Célestine tem a missão de sair do mundo dos ratinhos nos esgotos e vir à cidade habitada por ursos para coletar dentes que serão usados em implantes de roedores cujos dentes ficaram muito gastos - impossibilitando uma vida saudável do roedor. É em uma noite dessas que ela encontra o grandalhão Ernest, um urso que acaba de acordar após um período de longa hibernação e, por isso mesmo, está morto de fome. Depois de convencê-lo a não comê-la, a astuta Célestine o convence a invadir uma loja de doces e, para ficarem quites, ela precisa da ajuda dele para roubar dentes do consultório de uma dentista. Acho que já contei demais. Ernest e Célestine aborda de forma bastante leve a amizade entre criaturas bastante diferentes e, por isso mesmo, detentoras de características que se completam e que revelam semelhanças que pareciam impossíveis. Ambos apresentam gostos diferente dos rumos que ditaram para suas vidas, ou seja, são outsiders verdadeiros rebeldes (pois é, as aparências enganam) - e, por isso mesmo, tornam-se companhias perfeitas um para o outro. Além da história sobre amizade, a plateia irá se empolgar com o ritmo de aventura quando os dois se tornam fugitivos da polícia e são julgados por interferir na lógica dos mundos distintos em que vivem (é impossível não notar o duplo sentido quando Célestine diz que o que não toleram é que ela more com um urso). Entre ratos e ursos, os protagonistas tem personalidades bem marcantes e tornam o traço da animação uma atração a parte. Várias cenas são belíssimas, mas as cenas em que é apresentada a cidade dos ratos ou o momento em que uma tempestade se aproxima são espetaculares. Ernest e Célestine, com toda a sua fofura pode até enganar que é um programa somente para os pequeninos, azar dos adultos que vão perder a oportunidade de conferir um dos filmes mais límpidos dos últimos tempos que revela-se uma bela fábula sobre de combate ao preconceito. O filme confirma a tendência francesa de realizar animações tradicionais de traços marcantes como vimos em Um Gato em Paris (2011), Persépolis (2007), As Bicicletas de Belleville (2003) - todas indicadas e derrotadas no Oscar, mas cheias de personalidade.   

Ernest e Célestine (França/2012) de Stéphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner com vozes de Lambert Wilson, Pauline Brunner e Anne-Marie Loop. ☻☻☻☻

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