terça-feira, 21 de novembro de 2017

PL►Y: O Círculo

Hanks, Watson e Oswald: boas ideias subdesenvolvidas. 

Não foram poucos os que me advertiram  que O Círculo era uma verdadeira bomba, mesmo assim  me aventurei a assistir e agradeço a todos os meus amigos que queriam evitar que eu perdesse meu tempo com esta experiência cinematográfica frustrante. O filme tem uma premissa interessante sobre uma jovem que vai trabalhar num verdadeiro império tecnológico, uma empresa que pretende agregar em uma espécie de rede social os comentários, popularidade, vídeos, relacionamentos, fotos e todo o resto que o mundo real tem a oferecer. Agora, a empresa que já está satisfeita com o domínio sobre o comportamento das pessoas, pretende expandir para o campo da política também. A protagonista é vivida por Emma Watson e o patrão dela é vivido por Tom Hanks, ou seja, de elenco o filme tinha a promessa de funcionar mas... não é bem assim. Apesar da ideia interessante (que parece uma mistura de episódios da série Black Mirror) o roteiro não faz a mínima ideia de qual caminho seguir e se perde em todos eles. Mae (Watson) aceita uma proposta de trabalho sem hesitar e apesar do estanhamento inicial, logo está participando de um experimento que tornará sua vida um reality show. Neste momento o filme parece que irá embarcar pelo caminho de criticar a dicotomia entre o excesso de exposição e a vida privada (embora Mae não tenha a mínima noção do que seja isso), nada disso. Não ajuda o fato de Mae passar por tanta coisa de forma tão apressada, a cada desventura a personagem recebe uma resolução e uma mudança de comportamento em questão de minutos - o que não convence, rendendo o pior desempenho da carreira de Emma Watson (totalmente perdida nas mudanças bruscas de sua personagem). É tudo tão apressado que aos poucos o filme vai abandonando suas possibilidades de ser uma análise contundente ao mundo que cultua a tecnologia como um deus e tem a pressa como um dos seus valores mais importantes, mas, ironicamente a pressa é um dos maiores problemas do filme, isto fica claro desde que somos apresentados à insuportável Annie (Karen Gillan), uma workaholic tagarela que mais tarde descobrimos que anda exagerando no consumo de estimulantes - e o que poderia ser um retrato de como esse ritmo frenético pode adoecer vai por água abaixo com o desenvolvimento insatisfatório da personagem. Infelizmente o pior de tudo fica para o final, quando o filme precisa se posicionar sobre o exagero de deixar o  mundo virtual ditar o ritmo de sua vida, mas ele sai pela tangente de denunciar corrupções de grandes empresários quando na verdade seu tema era outro. Será que ele realmente acredita que sendo vigiados seremos pessoas melhores? O Círculo se perde em muitas voltas para não chegar a lugar algum. Não consegue ser uma crítica, não consegue ser politizado, não consegue ser cômico, tenso ou interessante. Talvez não seja por acaso que no meio de tantas ideias e informações o filme consiga ser nada. O pior de tudo é que o filme é dirigido por James Ponsoldt, que tem acertado em seus filmes anteriores, sobretudo no que antecedeu este, o sensível O Fim da Turnê (2015). 

O Círculo (The Circle/EUA-2017) de James Ponsoldt com Emma Watson, Tom Hanks, John Boyega, Patton Oswald, Glenne Headly, Bill Paxton, Karen Gillan e Ellar Coltrane. 

PL►Y: Na Próxima, Acerto no Coração

Canet: aparência de bom moço e coração monstruoso. 

Na arrepiante cena inicial, duas adolescentes que andam de bicicleta durante a noite, antes mesmo que um carro apareça o público já percebe que as duas moças estão em perigo. Quando o fato é consumado, o motorista volta para casa e, na manhã seguinte, se arruma para ir trabalhar - provocando a surpresa de que o maníaco é um policial. Baseado na história real do serial-killer Alain Lamare, que se tornou caso de polícia entre 1978 e 1979, o diretor Cédric Anger cria um filme de suspense que se sustenta ao tentar compreender este sujeito estanho de vida metódica e regrada, mas que não consegue conter o impulso de assassinar adolescentes. O que torna a história ainda mais inusitada é que o assassino se torna o responsável por capturar ele mesmo, ou melhor, o louco que assusta as redondezas da pacata cidade de Oise na França. Para ter mais liberdade de contar a história, Anger muda o nome do protagonista para Franck Neuhart e o coloca com a cara de bom moço de Guillaume Canet (também conhecido como esposo de Marion Cotillard), que aos poucos se torna arrepiante em sua frieza. Também ajuda a compor o retrato desta mente perturbada os momentos em que se auto-flagela na solidão de sua casa, as constantes alucinações com minhocas e um relacionamento desengonçado com Sophie (Ana Girardot), que não faz a mínima ideia do que Franck é capaz.  O roteiro não tenta explicar a compulsão assassina do personagem e mantem o mistério em torno do comportamento do protagonista até o final - e assim o deixa mais assustador. Um dos destaques do filme é a forma crua e bruta com que realiza os crimes e a forma com que o personagem dribla as investigações num roteiro que se desenvolve lentamente, aumentando ainda mais o suspense de uma  direção sem firulas. No entanto, não deixam de ser curiosas as cenas em que o protagonista bate de porta em porta segurando o retrato-falado do assassino (que é a cara de Franck, afinal é ele) e alguns moradores  não conseguem disfarçar o estranhamento de reconhecê-lo imediatamente. Durante o filme resta ao espectador se perguntar até que ponto Franck irá conseguir camuflar suas duas vidas, colabora muito para isso  a melhor atuação de Guillaume Canet, que foi indicado ao César de melhor ator pela precisão com que compõe um personagem bastante complicado.  

Na Próxima, Acerto no Coração (La prochaine fois je viserai le coeur / França-2014) de Cédric Anger com Guillaume Canet, Ana Girardot, Patrick Azam e Jean-Yves Barteloot. ☻☻☻

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

APOSTAS PARA O OSCAR 2018-CAPÍTULO IV

"Molly's Game" de Aaron Sorkin
Faz tempo que todo filme escrito por Aaron Sorkin entra no radar do Oscar. Pense agora o que acontece quando Sorkin assina seu primeiro filme na direção... Molly's Game já está com a expectativa nas alturas por conta disso (e ajuda muito ter os ótimos Jessica Chastain e Idris Elba no elenco). O filme conta a história de Molly Parker, ex-esquiadora, organizadora de campeonato de pôquer e alvo de uma investigação do FBI numa trama surpreendente.  

"Wonderstruck" de Todd Haynes
Outro que vive na mira da Academia é Todd Haynes com seu estilo visual único e linguagem peculiar de contar uma história. Desde que foi exibido no Festival de Cannes, Wonderstruck foi elogiado por contar duas tramas paralelas protagonizadas por crianças em tempos diferentes e que se cruzam de forma quase mágica. Baseado na obra de Brian Selznick dificilmente os admiradores do filme irão deixá-lo fora do Oscar. No elenco estão Julianne Moore e Michelle Williams.

"The Disaster Artist" de James Franco
Depois de tantos filmes autorais ignorados pela Academia, parece que James Franco entrará novamente no radar do Oscar por esta comédia sobre como foi feito o pior filme do século XXI! Franco dirige e vive o ator e cineasta Tommy Wiseau, responsável pelo espinafrado filme The Room/2003 que lhe rendeu fama mundial não exatamente pelo sucesso. Esta piração ainda conta com Zac Efron, Dave Franco, Bryan Cranston e Alison Brie no elenco. 

"Last Flag Flying" de Richard Linklater
O novo filme de Linklater tem colhido elogios pela forma como mistura comédia e drama na história de três veteranos da guerra do Vietnã que se encontram trinta anos depois no enterro do filho de um deles - um jovem militar morto quando servia no Iraque. Este é só o início de uma jornada que revela um lado peculiar das forças armadas americanas. No elenco estão Steve Carrell, Lawrence Fishburne e (muito elogiado) Bryan Cranston. 

"Pequena Grande Vida" de Alexander Payne
Fazia tempo que Payne se aventurava por comédias mais refinadas, com grande apelo dramático. Depois de dois oscars na estante (e outras quatro indicações), o diretor canadense volta com uma história de tom surrealista sobre um experimento capaz de diminuir pessoas e torná-las quase ricas por conta das despesas ficarem muito menores quando se tem poucos centímetros. Porém, a experiência de Paul Sufranek (Matt Damon) mostrará que a vida diminuta também tem seus problemas. Forte candidato ao prêmio de roteiro original (e Spike Jonze deve estar se roendo com a ideia que não passou antes por sua cabeça).

PL►Y: Vizinhos Nada Secretos

Jon, Zach, Isla e Gal: espiões na vizinhança. 

Jeff (Zach Galifianakis) e Karen Gaffney (Isla Fisher) formam um pacato casal do subúrbio. Ele trabalha na parte de Recursos Humanos de uma empresa tecnológica e ela ganha a vida como decoradora. Os dois levam uma vida tranquila ao lado dos filhos pequenos e quando os pimpolhos partem em um passeio eles tem a chance de fazerem tudo o que quiserem... mas no fim das contas preferem continuar na rotina previsível de todos os dias. A mesmice cotidiana é logo espantada quando eles conhecem os novos vizinhos, os Jones. Tim Jones (John Hamm) ganha a vida escrevendo dicas de viagem pelo mundo e Natalie Jones (a Mulher-Maravilha Gal Gadot) passa o dia chamando atenção de todos com sua beleza, elegância e roupas curtas. Os dois formam um casal perfeito! Apaixonados, bem sucedidos e cheios de sex appeal... logo despertam a inveja da vizinhança e a desconfiança de Karen que não acredita que aquele casal tão sofisticado tenha parado na casa em frente à sua por acaso. Não vai demorar para que os dois casais se aproximem e os Gaffney descubram que o casal dos sonhos são na verdade dois espiões disfarçados. Vizinhos Nada Discretos é o tipo de filme que não se pode assistir esperando muita coisa. Não procure situações surpreendentes, reviravoltas mirabolantes, diálogos brilhantes ou uma trama digna de uma obra-prima da comédia, se você não esperar algo inesquecível, você será capaz até de dar algumas gargalhadas nas trapalhadas que o típico casal suburbano americano se mete quando se mistura com um perigoso jogo de espionagem. Sim, existem mortes e explosões, mas o diretor Greg Mottola (que apresenta aqui o seu trabalho mais despretensioso) sempre busca tratar tudo com leveza - como algumas comédias muito comuns nos anos 1980. Hamm e Gadot estão bastante convincentes como o casal de espiões charmosos, assim como Isla Fisher como a dona-de-casa que é mais esperta do que a maioria das pessoas imagina, o único porém fica por conta de Galifianakis que força um humorzinho cretino em piadinhas que não combinam com o resto da história que preza por um humor bastante ingênuo. Um acerto do filme é como insere insere humor pastelão nas cenas de ação, cenas como da casa invadida, da perseguição de moto e dos Gaffney disfarçados são alguns exemplos de como o filme pode ser eficiente, mesmo com a narrativa um tanto frouxa. A cena final deixa a impressão de que o filme poderia ter uma sequência, mas o fracasso nas bilheterias comprometeu qualquer reencontro dos dois casais de estilos completamente diferentes.   

Vizinhos nada Secretos (Keeping up the Joneses/EUA-2016) de Greg Mottola com Zach Galifianakis, Isla Fisher, Gal Gadot, John Hamm, Matt Walsh e Patton Oswald. ☻☻☻

Pódio: Ezra Miller

Bronze: o filho problemático.
Nascido em 1992 em Nova Jersey, Ezra Matthew Miller é um dos jovens atores mais interessantes de Hollywood. Atuando desde 2006, ele demonstrou que era capaz de dar conta de papéis complicados como o que vemos nesta dramédia familiar dirigida por Sam Levinson. Ele interpreta Elliot, rapaz que acaba de sair de uma clínica para tratamento para dependentes químicos e não parece a vontade com os preparativos do casamento do irmão mais velho, especialmente quando solta pérolas do tipo "amadurecerei em algum momento próximo do fim". 

Prata: o amigo gay. 
Depois de viver alguns adolescentes problemáticos, Miller se tornou mais conhecido do público adolescente por sua interpretação como Patrick, jovem homossexual e melhor amigo de Charlie (Logan Lerman) e Sam (Emma Watson). Para complicar, ele namora secretamente um colega da escola e terá alguns conflitos por conta disso. Miller tem uma bela atuação (alternando euforia e melancolia) no universo criado por Stephen Chbosky - que estreia como diretor com o pé direito adaptando seu livro mais famoso em um dos melhores filmes sobre adolescentes da história do cinema.  

Ouro: o jovem psicopata. 
Se existe um papel que fará o ator ser lembrado por muito tempo é o jovem psicopata deste aclamado filme da diretora Anne Ramsay. Ezra Miller está excelente como o filho de Eva (Tilda Swinton, inesquecível), menino que desde pequeno demonstrava ter algo de incomum em seu comportamento. Ele cresce e suas ações se tornam ainda mais perigosas, marcando para sempre o destino de quem está por perto. Para quem conheceu o ator fazendo o simpático Flash de Liga da Justiça/2017, vale a pena conhecer este incômodo filme  da carreira do jovem ator (na época das filmagens ele tinha 16 anos, o que deixa seu trabalho ainda mais impressionante).  

domingo, 19 de novembro de 2017

Na Tela: Liga da Justiça

A Liga: tentando colocar o universo DC nos eixos. 

Depois de uma produção bastante conturbada finalmente chegou aos cinemas um dos filmes mais esperados de todos os tempos. Faz tempo que os fãs sonhavam com um filme da Liga da Justiça reunindo os maiores heróis da DC Comics e, conforme o tempo demonstrou, lidar com tanta expectativa está longe de ser algo fácil - e diante dos novos parâmetros demarcados pela Marvel nos cinemas a coisa piorou bastante. Depois que os filmes de Homem de Ferro & Cia se mostraram interligados, a Warner (detentora dos direitos da DC nos cinemas) sentiu a pressão de fazer o mesmo com os heróis que tinha em mãos. O efeito foi sentido na continuação de Homem de Aço (2013), que foi mexido o suficiente para abrigar Batman e se tornar o controverso Batman Vs. Superman (2016). O filme de Zach Snyder foi o ponto de partida para a construção de um universo unificado da DC nos cinemas, no entanto, o gosto de que essa ideia foi feita às pressas era indisfarçável. De início a Warner não tinha a mínima intenção de criar algo assim, preferindo contratar diretores com visões particulares sobre os personagens e deixar que as produções seguissem de forma independente. Com o sucesso de Vingadores (2012) eles perceberam que talvez pudessem repensar a estratégia (embora ainda não houvessem amadurecido o suficiente o universo que queriam construir). Se as interferências eram vivíveis no confronto do Homem-Morcego com o Superman, a coisa ficou muito pior com Esquadrão Suicida (2016) que deixou de ser o filme sombrio que se anunciava para se tornar uma espécie de quebra-cabeça de ideias mal trabalha. Mulher-Maravilha (2017) também sofreu intervenções, mas Patti Jenkins foi esperta o suficiente para criar uma unidade no filme que se tornou sucesso de público e crítica, se tornando o filme mais bem sucedido deste universo até o momento. Ao que parece, Liga da Justiça também foi mexido, principalmente depois que Zach Snyder precisou se afastar da produção devido à uma tragédia familiar. O destino abriu espaço para as intervenções de Joss Whedon, diretor de... Os Vingadores na produção - e outros problemas surgiram. Dizem que Whedon mexeu em 20% do filme e enfrentou também sua cota de desafios: inserir mais humor (e aposto que consegui identificar cada cena gerada por Whedon), cortar Darkside, cortar Lex Luthor, cortar namorada de Flash, cortar, cortar, cortar (incluindo o bigode involuntário do Superman Henry Cavill protegido em causa contratual de outro filme). Portanto, quando você for ao cinema, fique sabendo que o filme é bem diferente de como ele foi pensado, mas, ainda assim, ele funciona,. Não é uma obra-prima, mas funciona. 

Lobo da Estepe: vilão diabólico esquecível. 

Depois de Batman Vs. Superman ficou claro que o mundo estava prestes a viver ameaças bem diferentes do que Batman (Ben Affleck) estava acostumado a enfrentar. Pela primeira vez, o herói sem super-poderes se deparava com um universo habitado por alienígenas e deuses. Era de se esperar que a ameça agora parecesse mais um demônio do que um vilão humano. A ameaça agora é encarnada por Lobo da Estepe (voz de Ciarán Hinds), que procura as três caixas maternas para transformar o mundo em seu reino. Seguido pelos parademônios (derrotados transformados em criaturas sombrias que se alimentam de medo), Batman e Mulher-Maravilha (Gal Gadot) precisam encontrar aliados para derrotar este inimigo. Cabe a eles convencerem Aquaman (Jason Momoa), Flash (Ezra Miller) e Cyborg (Ray Fisher) a formarem um grupo que tem grandes chances de falhar em seu desafio. Como todo filme de equipe, os personagens precisam de tempo para aceitar a proposta, existem algumas picuinhas, alfinetadas... mas os heróis logo se entendem e (o mais importante) funcionam como time. A boa dinâmica entre os atores é um dos grandes pontos positivos do filme - o que nos faz até esquecer como a concepção de Aquaman é confusa e que nem todas as piadas do Flash são dignas de riso. É visível o desafio que Chris Terrio (oscarizado pelo roteiro de Argo/2012) enfrentou para costurar a história e seus vários personagens, precisando ainda dar conta do retorno de um dos membros fundadores da Liga,  o Superman (Henry Cavill). Quem acompanha histórias em quadrinhos ficará bravo em como o filme faz algumas promessas e as deixa pelo meio do caminho, mas a maioria do público irá gostar de ver os heróis juntos na tela e ficará empolgada com as cenas de ação. Porém, isso não quer dizer que Lobo da Estepe não seja um dos pontos fracos do filme (mas para os demônios talvez o poder pelo poder já satisfaça, sem maiores problematizações) e que exista muita coisa para ser resolvida em duas horas de exibição (lembro quando a Warner achou o filme muito longo e mandou cortar, cortar, cortar...). No fim das contas o filme é puro entretenimento despretensioso. Você ainda percebe a insegurança do estúdio em bancar suas escolhas, mas, não há problema em ser sombrio ou não ter piadas a cada cinco minutos, o problema é não bancar as ideias que resolveram colocar em prática. Sorte que Liga da Justiça é a prova que mesmo em meio ao caos, os heróis podem salvar o filme - principalmente com os atores certos no lugar exato.  Gal Gadot está cada vez melhor como Mulher Maravilha e até Ben Affleck surpreende como Batman. Embora tenha aqui uma versão menos soturna, Affleck está cada vez mais convincente como Bruce Wayne e seu alter-ego das trevas (o que só me faz lamentar que não veremos suas ideias para The Batman na telona em breve). Algo me diz que Liga da Justiça 2 será melhor.  

Gadot e Affleck: heróis convincentes. 

Liga da Justiça (Justice League/EUA-2017) de Zach Snyder de Ben Affleck, Gal Gadot, Henry Cavill, Ezra Miller, Amy Adams, Ray Fisher, Diane Lane, Jason Momoa, Jeremy Irons, Connie Nielsen e J.K. Simmons. ☻☻

PL►Y: Byzantium

Gemma: vampira perseguida por séculos. 

Lembro de ter ficado bastante curioso quando descobri sobre a produção deste filme, estrelado por Saoirse Ronan e Gemma Arterton e dirigido por Neil Jordan. O filme marcava o retorno do cineasta ao território vampiresco que lhe rendeu o maior sucesso comercial de sua carreira (Entrevista com o Vampiro/1994), pena que o resultado de Byzantium seja tão irregular. O filme retrata uma dupla de vampiras que são mãe (Gemma) e filha (Ronan) que vivem na Inglaterra se escondendo de uns sujeitos estranhos que querem acabar com as duas. A mãe se chama Clara e se prostitui pelas ruas para manter o sustento de Eleanor, sua filha adolescente. As duas, de vez em quando, enfrentam conflitos vivendo no anonimato e tendo seus perseguidores cada vez mais próximos. As personagens tem a sorte de encontrar com o bondoso Noel (Daniel Mays), solitário herdeiro de um antigo hotel chamado Byzantium e que abrigará as duas. No entanto, não espere profundidade no relacionamento amoroso que se instaura entre Noel e Clara, tão pouco um desenvolvimento minimamente interessante do hotel - que em breve se tornará um bordel. O problema do filme é que nada recebe qualquer profundidade e a atuação de Gemma Arterton cheia de caras e bocas também não ajuda. Sua performance como mãe zelosa é tão rasa que fica até difícil torcer por ela, parecendo apenas mais uma mãe chata de adolescente. A coisa também não melhora quando o filme se enrola nas cenas de flashback que contam como as duas personagens se tornaram vampiras. A origem da história acontece no século XIX e envolve dois cavalheiros (Sam Rilley e Johnny Lee Miller) que disputavam o coração de Clara. Nada disso chega a ser envolvente, a história entre passado e presente se desenvolve de forma desengonçada e a melhor parte fica por conta da vampira adolescente vivida por Saoirse Ronan, afinal ela vive uma pessoa com centenas de anos presa ao corpo de uma adolescente com direito até a um romance com o esquisito Frank (Caleb Landry Jones), que desde o início percebemos que será problemático. Sendo assim, só metade do filme funciona - e aquela parte próxima do final (que se torna uma grande gritaria) pode causar risos involuntários em sua necessidade de ser uma cena de ação eficiente. Byzantium é um filme que destoa da obra de Neil Jordan, o motivo deve ser o fato de ter sido feito por encomenda pelo estúdio ter os direitos da peça de Moira Buffini. O filme não funciona por apelar para o exagero e o melodrama a cada cinco minutos, deixando a impressão que se houvesse apostado no tom intimista o resultado talvez fizesse jus a história de duas mulheres que atravessaram séculos perseguidas por desrespeitarem as regras de um grupo visivelmente dominado por homens.

Byzantium (Reino Unido - Estados Unidos - Irlanda / 2012) de Neil Jordan com Gemma Arterton, Saoirse Ronan, Sam Reily, Caleb Landry Jones, Johnny Lee Miller, Warren Brown, Daniel Mays, Tom Hollander e  Maria Doyle Kennedy. ☻☻